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quarta-feira, 30 de abril de 2014

MÃES DE UTI

Ontem assisti mais uma matéria sobre mães de UTI, que me fez voltar exatamente ao dia 28/09/2009 e aos 36 dias seguintes.
Toda vez que vejo alguma coisa sobre isso, não consigo conter a emoção, parece que toda a angustia e ansiedade voltam. Dá um aperto no peito, aquele nó na garganta e as lágrimas caem compulsivamente.
Como sei que muitas mães que acompanham o blog estão nessa fase ou ainda vão passar por isso (já preparadas pelo médico e avisadas desde o dia do teste de gravidez), decidi escrever este post, que mesmo antigo, parece sempre muito atualizado em minha memória.
Durante as 33 semanas de gravidez me preparei para a UTI Neo. Sabia que isso era inevitável e pensei que já sabia tudo sobre essa fase. Achei que não seria um grande desafio, afinal, passei meses de repouso, segurei 4 filhos na barriga e enfrentei grandes obstáculos. Idéia totalmente errada!
Essa fase é marcada por várias etapas, muita angustia, muita ansiedade e emoção. Momentos de alegrias, momentos apreensivos, choros e risos fazem parte do dia a dia da mãe de UTI.
A “estreia” naquele lugar totalmente novo, cheio de aparelhos e apitos, onde passaremos longos dias, até ultrapassar a porta da saída é o primeiro grande susto. Lavar as mãos duas vezes antes de entrar na área de UTI, passar álcool em gel, colocar avental, máscara e toca, como se fossemos um grande risco para aqueles de gerei com tanto cuidado e amor, dá uma sensação esquisita de distância, falta de intimidade. Não temos autonomia sobre eles, não sabemos o que pode ou não pode fazer. É naquele momento que recebemos todas as orientações e nos pegamos pedindo autorização para uma (AINDA) estranha, sobre o que podemos ou não fazer com nossos próprios filhos.
Olhar meus bebês tão miudinhos e indefesos, cheios de fios, esparadrapos e aparelhos ligados, os sustos do apitos dos computadores que controlam todos os movimentos, é insanamente perturbador.
Durantes alguns dias, ou até semanas, dormimos e acordamos com os apitos na cabeça, nos assustamos durante o sono e vivemos em estado de alerta. Depois nos acostumamos e até aprendemos a avaliar e manusear.
Próxima dura etapa: a alta da mãe! Ai como é duro ver todas as mães sorridentes, deixando a maternidade com seus bebês no colo e a gente saindo sozinha, com o olho inchado de tanto chorar na despedida, sabendo que deixamos os nossos pequenos naquela incubadora, sem os nossos cuidados.
A chegada em casa foi difícil. Circulei pelos quartinhos, olhei cada berço, como se não soubesse que seria assim. Chorei muito até cansar e dormir, mas a cada hora de mamada (no meu caso de tirar no banco de leite), aquela dor voltada e eu me sentia vazia.
Ansiedade para a manhã seguinte, para passar a tarde toda sentada olhando para incubadoras, pegando mini pezinhos e mãozinhas, rezando para que tenha engordado um grama e que não tenha nenhuma intercorrência.
Isso se segue durante todo o período de internação, mas aos pouco as coisas mudam! Os apitos já não incomodam mais, passamos a confortar novas mães que chegam, criamos laços com enfermeiras e funcionários do hospital, nos apioamos no banco de leite e vamos comemorando cada vitória.
De repente, o bebe vence a primeira fase, pode colocar roupa e sair da incubadora. Que sensação incrível! Pegar nosso filho nos braços sem pedir permissão, sentir seu cheirinho e amamentar. Quanto tempo esperei por esse momento!
Com o mesmo nó na garganta do início e lágrimas nos olhos, agradecemos à Deus pela primeira grande conquista!
E daí por diante, a angustia diminui e a ansiedade cresce.
De repente, todos estavam de roupa  (no período de incubadora, o bebê não pode colocar roupa, fica só com a fraldinha) e a alta se aproximava.
Treinada pelas melhores e mais cuidadosas enfermeiras, um misto de sentimentos me dominava.
A dependência do monitor era a primeira insegurança. Implorava para que me deixassem levar pra casa, não queria sair sem eles, depois descobri que TODAS as mães fazem isso, Ufa! Também queria levar as enfermeiras, mas agora era minha vez de assumir a minha prole e encarar o desafio.
Prontos para a alta, não tem como conter a emoção! Todas as outras mães que ainda passam pelo processo de mãos esterilizadas e avental, que me acompanhou por 36 dias, estão no corredor, para acompanhar aquele momento. Toda a equipe de enfermagem também se posiciona para aplaudir a saída. A comoção é geral! É um momento de confiança e esperança para quem fica e um fim de um importante ciclo para quem vai.
A sensação daquela alta vem à minha mente sempre que lembro desses dias, falo ou assisto algum programa, mas a certeza de que venci todos os obstáculos, todas as dificuldades e comemorei todas as vitórias, compensam o choro e me fazem comemorar cada dia com minha turma ao meu lado.

Mães que ainda estão passando por isso, acreditem em Deus e nas pessoas que estão cuidando dos seus filhotes. Não segure nenhum sentimento e tenha a certeza de que isso vai passar, mas que te acompanhará pelo resto da sua vida, como um sentimento de vitória e força.